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gael garcia old tempo

Tempo – Crítica de lançamento

Tempo, tempo, tempo, tempo
Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo, tempo, tempo, tempo
Quando o tempo for propício
Tempo, tempo, tempo, tempo
De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo, tempo, tempo, tempoooooo…

Se leu esses versos cantando, também é um fã de Caetano, e com esses versos começo minha nota sobre esse filme que provavelmente você assistirá em algum momento.

“Old”, como se chama em inglês, é um filme de M. Night Shyamalan. Esse é o cara que fez Sexto Sentido, Split, Sinais, A vila, e uma série de outros que você também deve ter visto. Com esse currículo, talvez pense que o cara é meio perturbado, só filme tenso e eventualmente polêmico.

Como todo gênio, talvez tenha lá algum tipo de perturbação que lhe serve como combustível pra não parar de criar. Particularmente, minha impressão é que você teria 50% de chance de pegar um bom filme dele. Convenhamos que, Sinais não foi assim um acerto na carreira.

Ele também fez Stuart Little, o filme daquele desenho Avatar. Uma coisa que a gente pode achar de Shyamalan, é que é uma pessoa eclética. Não sei se concordo com um bocado de sua obra. E discordo no sentido de: não precisava ter feito um filme assim.

Mas vamos à sinopse logo:

old filme cadaver

Uma família resolve ter um feriado em um resort bem chique num lugar paradisíaco e por lá ganha um convite pra ir numa praia isolada, pra ter uma experiência exclusiva, indicação do gerente. São um casal que está prestes a divorciar, e seus dois filhos. Uma menina de 11 anos e um garoto de 6.

Então, eles embarcam numa van com uma outra família, que também aceitou o convite. Um neurocirurgião, sua esposa, sua mãe e sua pequena filha de 5 anos. Chegando na praia, eles montam seus refrigeradores, cadeiras e se sentam um pouco, mas depois as coisas começam a ficar… estranhas.

Um pouco não, bem esquisitas. Ao que parece, aquela praia os faz envelhecer mais rápido. Algo como 50 anos em 24 horas. Deu pra imaginar o desespero? Uma coisa que esse filme vai te ensinar é como é difícil envelhecer, portanto, é bom estar preparado.

O elenco chama atenção. Gael García Bernal como Guy, que é esposo de Prisca (Vicky Krieps), o casal com relacionamento conturbado. Rufus Sewell é o neurocirurgião e a gente acaba entendendo porque escolheram ele, o filme precisava de alguém com cara de psicopata malvadão.


Já viram aquela série “The Man in The High Castle”? Rufus praticamente faz valer a pena pela série inteira. Olha aqui o trailer. Virei fã depois que assisti.


E Alex Wolff aparece lá também no papel de Trent, irmão de Maddox (Thomasin McKenzie). Você deve se lembrar dele pelo filme hereditário. Como eu disse, essa produção é cheia de ator que sabe fazer papel de personagem perturbador/perturbado.

old movie sister brother

Não acho que tenha sido um filme liso. Particularmente, me incomoda muito as histórias no cinema que não obedecem uma lógica mínima. Exemplo: se as pessoas envelhecem, os cabelos provavelmente ficarão grisalhos.

E é claro, a lógica narrativa. Um dos que fiz crítica que acho que tem uma lógica narrativa lisa? Druk.

Então, detalhes assim fazem parte da ambientação que o espectador precisa em uma história que diz pra ele que algo está acontecendo. Igual no filme Sinais, tem um bocado de arestas que poderiam ter sido aparadas. No entanto, tem um desfecho bem feito.

Esse filme aqui tem um desfecho, uma mensagem bonita, alguma mensagem a se passar, por mais perturbador que pareça. E de fato, passa aquela sensação de “vish… agora ferrou”, ou “jesus, não quero ver essa cena”.

E tem mais… Não sei se Shyamalan errou a mão na condução dos diálogos, ou se tenho que culpar roteiristas por isso, mas tive a impressão que o potencial desse elenco poderia ter sido melhor explorado. Essa sensação me veio especialmente porque o Gael é bem mais fenomenal nos filmes de Almodóvar. Porque não poderia ser aqui também?

Mas como de praxe, sempre tento buscar nos filmes qual é a mensagem que tenta (ou pode) passar. Bom, esse aqui pode te ensinar alguma coisa sobre o que tem de bom em envelhecer. Tem que ter alguma coisa boa nisso, não é? A cumplicidade entre os personagens vai triunfar. Tempo, tempo, tempo, tempoooooo!!