O Conde de Monte Cristo de Alexandre de La Patellière e Matthieu Delaporte, adapta o clássico da literatura – de mesmo nome – escrito por Alexandre Dumas, em um longa de quase três horas para contar como esse herói francês, um oficial militar aspirante a comandante, se tornou uma figura quase divina nos minutos finais.

A obra original de Dumas, que já foi adaptada inúmeras vezes, continua a encantar gerações com sua profundidade emocional e narrativa épica. Esta nova produção, a grande aposta da França para concorrer ao Oscar na categoria de Melhor Filme Internacional, tenta capturar o espírito do clássico enquanto adiciona sua própria assinatura visual.
Alexandre Dumas, também escritor de outro clássico — ainda mais famoso, ‘Os Três Mosqueteiros’ —, foi conhecido no século 19 por suas narrativas dramáticas e profundas, que exploravam o ressentimento e como esses conflitos resultam na metáfora que uma simples luta de espadas significa. Em O Conde de Monte Cristo também há um duelo épico contra o maior vilão do protagonista.

Edmond Dantés – interpretado por Pierre Niney, é um homem humilde e inocente que após conseguir o cargo de comandante da tripulação que fazia parte sofre uma brusca ascensão social que incomoda os poderosos, responsáveis por arquitetar sua queda em uma conspiração em torno de um jogo político e econômico. A vingança como ponto central da trama é o que torna essa figura pura de Edmond o grande Conde de Monte Cristo, após ser preso e declarado morto, durante o processo em que organiza sua fuga descobre que há um tesouro em uma ilha escondida. Esse ponto de virada de narrativa é o divisor de águas em que o protagonista assume essa persona motivada por vingança daqueles que lhe arruinaram.

Deixada aos prantos sob o altar, em meio ao casamento, Mercédès – prima e esposa de Edmund, é interpretada de forma intensa por Anaïs Demoustier, a responsável pelos momentos mais dramáticos da história. Após ser abandonada no altar e traída por seu primo Fernand, que conspira contra Edmond e se casa com ela, Mercédès carrega o peso dos momentos mais dramáticos da trama. Sua relação com Fernand não apenas simboliza a perda pessoal de Edmond, mas também estabelece o casal como um dos principais alvos de sua vingança.
Na execução de sua revanche, Edmond conta com dois jovens aliados que compartilham seu desejo de justiça. Haydée, uma mulher enigmática e sedutora, desempenha um papel essencial ao manipular Albert, filho de Fernand. Paralelamente, Andrea, adotado por Edmond, assume um papel estratégico nesse intricado jogo de interesses, honrando uma antiga amizade do Conde. Em meio ao caos e às reviravoltas, o longa encanta com cenários deslumbrantes que parecem verdadeiras obras de arte, desde a casa onde Edmond cresceu até a ilha de Monte Cristo, cada locação enriquece a experiência visual do espectador. Destaque especial vai para a fuga de Edmond da prisão, uma sequência visualmente deslumbrante que capta toda a tensão e engenhosidade do personagem. Mesmo que a construção de enredo e os aspectos visuais do longa sejam impressionantes, a direção erra no aspecto de criar a ambientação densa e profunda que existe na obra literária. É perceptível a vontade de Alexandre e Matthieu em construir um suspense, porém o tom melodramático, com reviravoltas de traições e triângulos amorosos, podem desviar o foco de quem assiste a uma intriga trivial entre o núcleo principal. Apesar de seguir a obra de Alexandre Dumas, o enredo se distancia ao apostar em reviravoltas exageradas e intrigas românticas que enfraquecem sua essência.

Enfim, Embora a adaptação honre o original e possua méritos visuais, carece de
profundidade narrativa para transcender o público fã do livro que a inspirou.
A experiência de assisti-lo nas telonas pode tornar a experiência mais memorável,
todo o trabalho feito sobre os aspectos visuais são de grande excelência e valem a ida aos cinemas.
Por Marcus Silva
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